Me chama muito a atenção a capacidade do povo brasileiro de se recriar, de ser capaz de viver uma vida difícil e ter um espírito alegre, empreendedor, criativo, o chamado jeitinho brasileiro arranja solução para tudo.
Embora muitas das maneiras arranjadas não sejam republicanas na sua essência tornam possível uma vida mais digna, especialmente para os mais pobres.
Basta pensarmos e observarmos o boom da nova classe média, e o estilo de vida cheio de recursos modernos que os moradores das favelas inventaram para conviver com a violência, com a falta de serviços públicos, com a baixa renda, enfim, criaram um modo de viver que possibilita uma gama de oportunidades e experiências, que seriam impossíveis, consideradas as condições físicas, sociais e econômicas em que vivem.
Uma completa falta de infraestrutura pública, uma ausência do estado que fechou os olhos para estes estratos da população.....
Finalmente, chego na discussão do que seria um Estado Cidadão, que é o que me motiva a escrever....
Cidadania tem tudo a ver com o reconhecimento dos direitos sociais, que se seguiram há períodos de muitas lutas do povo, especialmente na Europa.... Uma vez garantidos os direitos civis e políticos, os sociais foram os últimos que receberam uma estruturação por parte dos chamados Estados Social Democratas, ou Welfare States Europeus.....
E no Brasil? Misturamos uma ausência de direitos civis verdadeiramente consolidados, com direitos políticos formais, mas com um modelo político eleitoral que perpetua os donos do poder no comando.... desde as capitanias hereditárias, se fizermos uma evolução das famílias que continuam no comando, perceberemos isto....
E os direitos sociais? São vistos como favor, como privilégio, como uma forma de o Estado socorrer os vulneráveis social e economicamente......
Então, acesso a infraestutura urbana, ou a falta deste acesso, tornou-se, no meu ponto de vista, a condição mais vulnerável, que atinge a todos de forma indistinta, e faz sofrer ainda mais, quem não tem habitação, saneamento, titularidade da terra, e transporte público urbano descente.....
A criação do Ministério das Cidades pretendeu colocar este tema em pauta, é um órgão que cuida da infraestutura social, mas que precisa se articular internamente e com outras políticas sociais, especialmente o MDS, Bolsa Família, Centro de Referência Social, que não conversam com política de infraestrutura urbana, amenizam o problema da fome e das vulnerabilidades sociais (da criança, do idoso, do deficiente, da violência doméstica,....) mas definitivamente fica devendo muito em termos da dignidade de todos os seus beneficiários.....
Estado Cidadão, tem que melhorar a vida do povo de maneira integral.
Contem comigo.... Vamos debater....
Marcos Chagas EPPGG